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Existe um futuro para o corretor de seguros?

Essa pergunta assombra os bastidores de todas as corretoras de seguros do Brasil e do mundo. O futuro do corretor de seguros é debate em diversos segmentos, dentro e fora do mercado. A cotação de seguros online e os aplicativos, frutos da revolução da internet, são motivos de preocupação.

Mas serão esses os culpados?

Não sou corretor de seguros. Não trabalho em seguradora. Minha formação é Técnica (Técnico em Contabilidade) e trabalho desde 2007 com sites e projetos na internet. Desde 2013, acompanho de perto o mercado do jogo do bicho e o que deu no poste. Recentemente, para elaborar eventuais conteúdos para esse espaço, passei a visitar sites de corretoras de seguros.

Com raras e honrosas exceções, os sites das corretoras de seguros estão parados no tempo. Estagnados no padrão de sites do fim dos anos 90, sem integração com redes sociais. Mais grave ainda: muitos sites são deficitariamente estruturados, sendo necessário malabarismos para encontrar o campo de contato.

Lei mais sobre Jogo do Bicho e deu no poste: www.oqueeisso.blog.br/deu-no-poste-ganhar-lotofacil-100-garantido

Imagem do passado?

Em época de busca local, em que os mecanismos de pesquisa fornecem informações segmentadas e personalizadas de acordo com a sua localização, essa falta de “modernidade” nos sites das corretoras evidencia algo muito grave: a acomodação do mercado. Os corretores de seguros precisam entender que a internet não é uma opção: ela é essencial para a sobrevivência!

Para seguros mais complexos e planos de previdência, por exemplo, a figura do corretor é essencial e não acredito que esse cenário vai mudar no curto prazo. Para seguros de Pessoa Jurídica, o corretor também é fundamental.

Mas para os demais seguros, seguros de pequeno valor e de apólice simples, a cotação online vai crescer muito e roubar o lugar de muitos. A “precificação” exagerada do seguro que a cotação online pode gerar, é uma realidade que deve ser enfrentada. O seguro não pode ser analisado e comparado apenas pelo preço. Ele é complexo demais para ser resumido em valores monetários.

É necessário analisar que tipo de cobertura o segurado deseja e necessita, fornecendo assim uma cotação boa para esse perfil, sendo o preço um dos fatores.

Entretanto, isso não é uma barreira intransponível para os comparadores de preços no ramo de seguros. A tecnologia avança rapidamente e os sistemas ficam mais intuitivos a cada dia.

O corretor ainda vai existir no futuro, mas a seleção natural vai selecionar os melhores. O mercado brasileiro ainda precisa crescer muito e durante algum tempo os corretores conseguirão surfar nessa onda, mas não eternamente.

Minha preocupação é com os Pequenos Corretores, que focam demais na carteira de automóveis e deixam de lado todo o resto. É fácil cotar um seguro para carro pela internet, mas é complicado contratar um plano de previdência ou um seguro de valor mais elevado. As grandes corretores estão se preparando para isso.

O progresso não pode parar. Lamentar que o “a cotação online” está roubando clientes não é o caminho para sobreviver. E cobrar ações do governo para impedir o crescimento da venda de seguros por meios remotos é obscurantismo, como escreveu o grande economista Mário Henrique Simonsen:

Mario Henrique Simonsen

“O crescimento econômico é um processo de destruição criadora, como já lembrava Joseph Schumpeter em 1913. Novos produtos e técnicas de produção desbancam os antigos, e o que é a última palavra em termos de modernidade em determinada época pode transformar-se em modelo de obsoletismo alguns anos depois.

Isso significa que o progresso tecnológico cria seu coeficiente de desperdício, via depreciação acelerada dos antigos investimentos. A única maneira de evitá-lo é incorrer no custo ainda maior do obscurantismo – a recusa do progresso tecnológico.

Imagine-se o que seria a humanidade se os governos do século passado tivessem resolvido proteger os fabricantes de velas contra a concorrência da lâmpada elétrica.” (FONTE da Citação)